Não existe regra pronta do tipo 'quem compra muito deve ir para o híbrido'. Se vale a pena pagar o IBS e a CBS por fora do DAS depende de três coisas juntas: a sua carga tributária, o quanto você aproveita de crédito nas compras e, principalmente, para quem você vende. Este guia mostra como olhar cada uma — com exemplos por tipo de empresa.

Se você já leu que a empresa do Simples vai poder escolher, a partir de 2027, pagar o IBS e a CBS por fora do DAS (o regime híbrido), a pergunta seguinte é inevitável: vale a pena para a minha empresa? A resposta honesta é 'depende' — mas 'depende' de fatores concretos, que dá para olhar um a um. Se você ainda não entendeu a regra em si, comece pelo nosso guia sobre a decisão de setembro; aqui o foco é como saber se compensa.

Por que não existe uma regra simples

Circula muito a ideia de que 'quem compra bastante insumo deve ir para o híbrido'. É uma simplificação perigosa, porque ignora a parte que mais pesa na decisão: para quem você vende. Comprar muito ajuda — você passa a se creditar das compras —, mas se o seu cliente é o consumidor final, que não aproveita crédito, boa parte da vantagem some. Volume de compras, sozinho, não decide nada.

As três perguntas que decidem

A decisão nasce do cruzamento de três fatores. Nenhum deles sozinho responde:

  • Carga tributária: quanto você paga de imposto em cada uma das duas opções.
  • Créditos das suas compras: quanto das suas compras é de insumos e serviços tributados que gerariam crédito no regime híbrido.
  • Perfil dos seus clientes: quanto do seu faturamento vai para pessoas jurídicas que apuram no regime regular — e, por isso, aproveitam crédito cheio.

Um método em 4 passos (para levar ao contador)

  1. Compare a carga tributária nas duas opções, para 2027, lembrando que a CBS entra cheia e o IBS ainda em alíquota-teste.
  2. Separe, das suas compras, o que realmente geraria crédito (insumos e serviços tributados) — folha de pagamento, por exemplo, não gera crédito.
  3. Meça quanto do seu faturamento vai para clientes que aproveitam crédito (PJ no regime regular) e quanto vai para consumidor final.
  4. Procure o ponto de equilíbrio: a partir de que fatia de vendas para PJ e de que volume de compras uma opção passa a superar a outra.

Exemplos por tipo de empresa

Abaixo, cenários comuns entre os nossos leitores. São tendências para orientar a conversa com o contador — não recomendações, e cada caso depende dos números reais da empresa.

Tipo de empresaPara quem vende / o que compraTendência
Loja de autopeças (balcão)Consumidor final e oficinas; parte para oficinas e frotistas PJDepende do mix: quanto maior a fatia de vendas para oficinas e frotas PJ que aproveitam crédito, mais o híbrido tende a pesar a favor; se predomina o consumidor final, manter no DAS tende a compensar pela simplicidade
Distribuidora / atacadoVende para PJ (lojas, mercados) e compra muito insumo tributadoO híbrido tende a favorecer: o cliente PJ recupera crédito cheio e a própria empresa passa a se creditar das compras
Materiais de construçãoMix: consumidor final na obra + construtoras e empresas PJDepende do peso das vendas para construtoras e PJ; quanto maior essa fatia, mais o híbrido tende a compensar
Varejo para consumidor finalVende para pessoa física, que não aproveita créditoManter dentro do DAS tende a pesar a favor: sem ganho de crédito para o cliente, a simplicidade vence
Serviços B2B com folha altaVende para PJ, mas o custo é concentrado em pessoal e há poucos insumosAtenção: a folha não gera crédito. O ganho de crédito nas compras é pequeno e a alíquota cheia incide sobre a receita — a conta precisa ser bem feita
Indústria que vende para revendaVende para lojistas e distribuidores PJ e compra matéria-prima tributadaO híbrido tende a favorecer, por gerar crédito cheio ao cliente e crédito das próprias compras

A conta que muda tudo: o mix de clientes

Repare que duas empresas do mesmo setor e do mesmo tamanho podem chegar a decisões opostas. O que separa uma da outra é o mix de clientes. Quanto maior a parcela do faturamento que vai para pessoas jurídicas que se creditam, mais o regime híbrido tende a compensar — porque torna você mais barato para elas sem baixar o preço. Quando a maioria das vendas é para consumidor final, esse ganho não existe, e a simplicidade de manter tudo no DAS costuma pesar a favor.

A pergunta certa (que você leva ao contador)

Em vez de perguntar 'qual opção paga menos imposto', a pergunta que leva à melhor decisão é outra: considerando quanto minha empresa fatura, quanto compra, quanto consigo aproveitar de crédito e para quem vendo, qual alternativa produz o melhor resultado econômico? Às vezes a opção que paga um pouco mais de imposto é a que deixa a empresa mais competitiva na cadeia — e é o resultado no fim do mês que importa.

O que levar ao seu contador

  1. Qual percentual do meu faturamento vai para PJ que aproveita crédito, e qual vai para consumidor final?
  2. Das minhas compras, quanto é de insumo/serviço tributado que geraria crédito?
  3. Simulando 2027 (CBS cheia, IBS em alíquota-teste), qual das duas opções sai melhor no meu caso?
  4. Existe um ponto de equilíbrio: a partir de que fatia de vendas B2B o híbrido passa a compensar para mim?
  5. Se eu optar em setembro e me arrepender, até quando dá para cancelar?

E o G360 nisso tudo?

Um recado direto: você não precisa decidir o regime com base no que o seu sistema suporta. O G360 é preparado para os dois cenários — dentro do DAS e regime híbrido —, então a escolha fica sendo de negócio e fiscal, feita com o seu contador, e não uma limitação de software. Conforme a regulamentação avança, atualizamos o sistema de acordo.

Perguntas frequentes

Dúvidas rápidas.

Vale a pena pagar IBS e CBS por fora do DAS?+

Depende de três fatores juntos: a sua carga tributária, o crédito que você aproveita nas compras e, sobretudo, para quem você vende. Não existe regra única — duas empresas do mesmo porte podem decidir de formas opostas. A conta precisa ser feita com o seu contador.

Comprar muito insumo já é motivo para ir para o híbrido?+

Não sozinho. Comprar muito insumo tributado ajuda, porque você passa a se creditar dessas compras. Mas se você vende para consumidor final, que não aproveita crédito, o ganho comercial some. O volume de compras só decide junto com o perfil dos seus clientes.

Como sei para quem eu vendo, para essa conta?+

Levante quanto do seu faturamento vai para pessoas jurídicas que apuram no regime regular (e aproveitam crédito cheio) e quanto vai para consumidor final. Esse percentual é o que mais pesa na decisão — leve esse dado ao seu contador.

RM
Raphael MachadoFundador da Movimento Sistemas. Fundador da Movimento Sistemas, com mais de duas décadas de experiência em gestão e tecnologia para pequenas e médias empresas.
IBS e CBS dentro ou fora do DAS: a decisão de setembroComo precificar para ter lucroVer todos os artigos